
A camisola não é mais uma peça exclusivamente feminina. Desde algumas temporadas, essa peça de lingerie aparece nos guarda-roupas masculinos, usada como roupa de dormir, mas também integrada a looks diurnos em uma lógica de peças íntimas visíveis. O fenômeno ainda é marginal em volume, mas se baseia em movimentos de fundo na moda masculina: confusão dos códigos de gênero, ascensão do loungewear e estética do pajama dressing.
Pajama dressing e peças íntimas visíveis: o contexto da moda que torna a camisola masculina possível
A tendência de usar peças íntimas como itens de estilo por si só se estabeleceu na moda feminina antes de atingir os guarda-roupas masculinos. Em 2026, a imprensa de moda descreve uma lógica de “peças íntimas por cima” onde sutiãs, camisolas e pijamas aparecem deliberadamente nas silhuetas diurnas. Essa abordagem se estende aos homens por meio do pajama dressing, que consiste em usar peças de dormir (sarongs, roupões, calças fluidas) ao ar livre.
A camisola masculina se insere nesse contexto. Ela adota cortes amplos, tecidos acetinados ou de renda, e os associa a um guarda-roupa casual. Várias marcas de moda online agora oferecem a camisola masculina da Mode Création como uma peça de loungewear assumida, com cortes adaptados às morfologias masculinas.
O movimento não se limita às passarelas. Nas redes sociais, criadores de conteúdo mostram combinações de camisola com calças largas ou camisola com jaqueta estruturada. A ideia não é feminizar o guarda-roupa masculino, mas tratar a camisola como uma peça fluida entre outras.

Materiais e cortes da camisola masculina: o que muda em relação ao modelo feminino
Uma camisola masculina não se resume a uma versão ampliada de um modelo feminino. As adaptações ocorrem em vários pontos concretos.
- O corte é mais reto e menos ajustado, com cavas mais largas e um comprimento que geralmente vai até a metade da coxa ou ao joelho, em contraste com um corte mais curto e ajustado para os modelos femininos
- Os materiais preferidos são o cetim, a viscose e o algodão modal, às vezes associados a rendas nas bordas, mas raramente em toda a peça
- As cores permanecem majoritariamente sóbrias (preto, azul marinho, bordô), mesmo que algumas marcas ofereçam tons pastel ou estampas inspiradas no “granny chic”, uma estética nostálgica que influencia as camisolas em 2026
A estética granny chic, descrita pela imprensa de moda como uma tendência forte do verão, se traduz em bordados ingleses, babados discretos e tons empoeirados. Ela atinge as camisolas masculinas em uma versão minimalista, onde o detalhe ornamental permanece como um acento em vez de um padrão dominante.
Uma roupa de dormir ou uma peça de estilo
A fronteira entre os dois usos depende amplamente do material. Um cetim leve com acabamentos de renda se orienta para o sleepwear. Um modelo em algodão estruturado com costuras aparentes pode ser sobreposto a uma camiseta ou usado sob uma jaqueta leve. O uso depende tanto do tecido quanto da intenção do usuário.
Regulamentação têxtil europeia e camisola masculina: um ângulo ignorado
A venda de camisolas masculinas online, especialmente através de marketplaces, levanta uma questão raramente abordada: a conformidade regulatória. O regulamento europeu sobre a segurança geral dos produtos (GPSR) exige que os vendedores forneçam um passaporte digital do produto (DPP) para os têxteis comercializados na União Europeia.
O DPP informa a composição, a rastreabilidade e as condições de fabricação da peça. Para uma camisola usada diretamente sobre a pele por várias horas, essas informações não são irrelevantes. Os materiais sintéticos baratos, comuns em plataformas de importação, podem conter substâncias alergênicas ou irritantes.
Os relatos de campo divergem nesse ponto: alguns compradores relatam reações cutâneas após algumas noites de uso de modelos de baixo custo, enquanto as marcas especializadas em lingerie masculina destacam certificações têxteis (Oeko-Tex, GOTS) como um argumento de diferenciação. Verificar a composição e a origem do tecido continua sendo o reflexo mais confiável antes de qualquer compra.

Lingerie masculina e percepção social: onde está o mercado
A camisola masculina ainda enfrenta um obstáculo cultural. Os conteúdos mais visíveis online oscilam entre o ângulo humorístico (“WTF moda”) e o registro exclusivamente sexual (“sexy hot”). Essa polarização mascara uma realidade mais nuançada.
O mercado de lingerie masculina como um todo tem avançado nos últimos anos. As marcas de corseteria desenvolvem coleções masculinas que vão além do simples boxer. A demanda existe, impulsionada por consumidores que buscam conforto, variedade ou simplesmente roupas de dormir mais elaboradas do que uma camiseta desgastada.
- Os compradores de camisolas masculinas se dividem entre amantes do loungewear de alta qualidade, adeptos da confusão dos códigos de vestuário e pessoas em busca de roupas de dormir confortáveis
- Os marketplaces generalistas oferecem principalmente modelos a preços baixos importados, com poucas informações sobre os materiais
- As marcas especializadas se posicionam na qualidade têxtil e na estética refinada, com preços significativamente mais altos
Os dados disponíveis não permitem quantificar precisamente o tamanho desse mercado na França. A categoria “camisola masculina” ainda não existe como um segmento identificado nas pesquisas setoriais de lingerie. Essa nebulosidade estatística reflete um mercado em construção, onde a oferta estrutura progressivamente a demanda.
Uma peça que ainda busca seu vocabulário
Deve-se falar de camisola, de camisa de dormir curta, de sleepwear ou de loungewear? A ausência de um termo estabilizado dificulta a visibilidade do produto nas pesquisas online e complica o trabalho das marcas que desejam referenciar seus modelos. Algumas contornam o problema usando “nightgown” ou “nightdress” em suas descrições, correndo o risco de confundir ainda mais as referências.
A camisola masculina existe, é vendida e é usada. Seu futuro dependerá menos de um efeito de moda passageiro do que da capacidade das marcas de oferecer modelos bem cortados, em materiais confiáveis, com uma comunicação que vá além dos registros da piada ou do fantasma.